A Grande Jornada da América do Sul
Por Tito Aureliano, 2012

INTRODUÇÃO
Todos nós que sonhávamos sermos exploradores quando criança, assistindo os filmes de Spielberg e George Lucas, ou mesmo aqueles ainda mais antigos, filmes B de aventura, pois bem, todos nós que gostamos do gênero tivemos uma fase assim: O que acontece se quando a gente fica mais velho e somos atingidos com uma tremenda vontade de viver uma aventura de verdade?
“A Grande Jornada na América do Sul” é uma série de crônicas reais de uma viagem que realizei em Janeiro de 2010, partindo da Amazônia Brasileira até os Andes Bolivianos, e depois ao Atacama, no Chile, os desertos Peruanos, as ruínas Incas aos arredores de Cusco, e de volta a Amazônia, atravessando a borda Peru/Brasil.
O enfoque foi dado às questões Arqueólogicas nesses locais, mas também foram observadas e anotadas observações paleontológicas, ecológicas e geológicas desses fantásticos e tão contrastantes lugares.
Diferentes civilizações povoaram essas regiões e deixaram seus traços: os famosos Incas, com seus palácios de templos, os Nasca, com seus geoglifos misteriosos, múmias e aquedutos do deserto, os Tiwanaku – meus favoritos – com extensas cidades desde os Andes até ruínas no Deserto do Atacama, e ainda os Geoglifos do Acre brasileiro, de uma época antes da atual selva dominar as regiões de planície, que hoje revela traços de uma complexa sociedade que vivia na região Amazônica brasileira.
Alagações na selva, Montain Biking nas nuvens dos Andes, a travessia do Deserto de sal de Uyuni, ruínas no deserto, fósseis e múmias nessas crônicas de aventura que serão apresentadas em capítulos aqui no Titossauro.com.
Espero que os leitores gostem tão quanto eu gostei em conhecer aqueles lugares.

Figura acima: Mapa esquemático resumindo os trajetos realizados durante toda a jornada pela América do Sul, narrados nessas crônicas. Autoria: Tito Aureliano, 2011.
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"A Grande Jornada da América do Sul"
PARTE I: ACRE

“O lugar mais remoto do mundo”, os brasileiros costumam dizer sobre o Acre.
Entretanto, possui sua capital muito bem organizada e suas estradas ao lado leste do estado muito bem conservadas.
Em contraste, o Acre possui ainda uma vasta região de selva Amazônica ainda não explorada pela Civilização Ocidental. Animais desconhecidos, plantas medicinais, fósseis únicos e povos indígenas isolados (nunca contatados pela FUNAI!), e sítios arqueológicos absolutamente fantásticos.
Fotografia à direita: Jangada quebrada às margens do Rio Acre. População Ribeirinha a cerca de 60 km ao sul de Rio Branco, Acre, Brasil. Autoria: Tito Aureliano, 2009.
Infelizmente a porção leste do estado, onde estão a maioria das estradas que levam até a divisa com a Bolívia, as fazendas prevalecem e o desmatamento é quase total da Floresta. É muito triste de observar. A exploração ilegal de madeira selvagem a qual testemunhei durante uma expedição científica no local (clique aqui e leia sobre a expedição) deixou-me revoltado e entristecido. É negócio entre alguns grandes fazendeiros acreanos comprar lotes enormes de selva nativa do proprietário, que é ribeirinho (assim chamados os nativos que vivem de caça e pesca, e raramente de plantação sustentável, uma forma de vida muito simples e humilde). “Eles compram a propriedade de 40 mil hectares de selva por R$40 mil e depois vendem ilegalmente toda a lenha abatida por R$80mil”, um amigo meu acreano disse, “ao final, os grandes fazendeiros lucram para terem um território ainda maior e os pequenos proprietários ribeirinhos originais vão se mudando cada vez mais para o interior da selva”.
Partindo no final da madrugada do dia 16 de Fevereiro de 2010, minha amiga Andréa deu carona até a estação rodoviária de Rio Branco. É bem organizada a estação de ônibus. Pequena, mas limpa e organizada.
Minha primeira etapa no mochilão foi seguir para o limite sul do estado, para divisa com a Bolívia. Existem duas opções para quem for realizar o trajeto: o ônibus é razoavelmente bom e a passagem em 2009/10 custou uns R$ 30,00; você pode pegar um transporte privado coletivo informal, que sái um pouco mais caro (por volta de R$40,00, dependendo de sua negociação). Muitos acreanos realizam diariamente o trajeto da capital para as fronteiras com seus veículos próprios. A vantagem: é bem mais rápido de carro (por volta de 2 horas). O ônibus demora de 3 a 4 horas.
Aquele dia de manhã eu fui de transporte coletivo, pois eu queria já dormir em La Paz – uma meta quase impossível, tendo em vista a Amazônia inteira para atravessar e ainda subir os Andes.
Então partimos ao amanhecer, com o carro lotado de gente, pela rodovia bem asfaltada, atravessando infindáveis fazendas acreanas.
Um desmatamento enorme e quase não se vê atividade pecuária, ou sequer atividade agricultora nas grandes fazendas de lá. Um desperdício de natureza. Isso acontece pois o solo amazônico é muito pobre em nutrientes (e isso é o mesmo para qualquer solo em região de floresta tropical úmida). O que mantém a rotatividade de nutrientes no solo de floresta tropical é justamente a vegetação nativa. Se alguém abate a floresta, o solo empobrece e torna-se quase um semi-árido. Então, torna-se muito caro realizar plantio em larga escala na Amazônia, por que requer uma reposição de nutrientes artificialmente no solo.
Pode ser observado o desmatamento quando se passa por esse trecho destruído da mata, nas fazendas. Foi com muita infelicidade que percebi esse problema gravíssimo no Brasil. Deveria haver melhor acompanhamento do Governo para que não fossem desperdiçadas tantas áreas de Amazônia sem que houvesse retorno satisfatório.

Fotografia à esquerda: Trecho destruído da Floresta Amazônica em fazenda acreana à beira da Rodovia. Autoria: Tito Aureliano, 2011.
O desmatamento desenfreado no Acre revelou, entretanto, o que há séculos se escondia na selva, por debaixo das copas das árvores gigantes.
Nós viajamos ao longo de todo o trajeto. E ele me contou sobre histórias de sítios arqueológicos e que já havia levado pesquisadores peruanos para algumas localidades perto da rodovia, para realizarem um estudo de campo.
“Pare o carro!”, eu pedi para o motorista. “Geoglifos!”.
Formas geométricas gigantes que só podem ser compreendidas quando vistas por fotografia aérea.
A rodovia atravessava pelo meio de uma enorme geoglifo. O que parecia ser um morrote, era um fosso retangular interrompido pela autopista larga. Obervando essas estruturas de perto é que se percebe a sua grandiosidade.
Sítios arqueológicos de um povo que vivia na Amazônia há quase mil anos. Estudos são poucos e restos arqueológicos são escassos (uma única cerâmica encontrada), mas tudo indica cavavam fossos para estabelecimento de tanques e canalização de água. Alguns cientistas dizem que criariam tartarugas e peixes, e que utilizariam os canais para plantação.
Foram encontrados primeiramente pelo Geógrafo brasileiro Alceu Ranzy, no final dos anos 1970. O impacto dessa descoberta e sua repercussão na questão é que até então a comunidade científica acreditava que a Floresta Amazônica não permitiria o desenvolvimento de um povo com características sedentárias e organização urbana. Até então acreditava-se que o ambiente de selva tropical não permitiria que um povo desenvolvesse sua cultura em um caminho como tal.
Geoglifos como tais foram encontrados também no nordeste da Bolívia, na região de Llanos de Mojos, onde predomina uma mistura de vegetação amazônica e savânica. Estudos indicam que os sítios bolivianos, apesar de muito mais antigos, possuiam funções diferentes. Ao invés de fossos para cultivo de alimentos e estabelecimento de canais, seria o meio de sustentação de toras de madeira, que formavam muralhas. Havia, segundo pesquisadores bolivianos, uma séria de cidadelas uma próxima a outra. Provavelmente o povo amazônico mais ao norte teria invadido o espaço amazônico quando a vegetação ali não era tão densa, por volta do séc. XII e por lá se estabeleceram até que a floresta os cobrisse.
Uma estrutura de aldeamento semelhante foi encontrada na última década no alto Xingu, no nordeste do Mato Grosso, por Michael Heckenberger e o líder tribal Afukaka Kuikuro. As ruínas estão localizadas em um território considerado com sagrado e considerado pelos Kuikuro como “a terra de seus antepassados, onde os deuses começaram o mundo”.
Isso é apenas uma amostra dos segredos que a região amazônica guarda há séculos. Cabe às novas gerações preservar a floresta e todo seu conteúdo científico para que possamos continuar a fazer novas descobertas.

Figura à direita: Geoglifo encontrado no sudeste do estado do Acre. Foto: Alceu Ranzi.

Figura à esquerda: Fotografia aérea e croqui esquemático do sítio Fazenda Colorada (Foto: Sanna Saunaluoma). Fonte: Pärssinen, Schaan & Ranzi, 2009.

Figura à direita: Fotografia aérea e croqui esquemático do sítio Fazenda Paraná. Fotografia: Edison Caetano. Croqui: Martti Pärssinen e Denise Schaan. Fonte: Pärssinen, Schaan & Ranzi, 2009.

Continuando a jornada, prosseguimos até Brasiléia, a cidade-fronteira Brasil / Bolívia.
Eu esperava encontrar um velho oeste amazônico. Surpreendi-me.
A cidade de Brasiléia era muito bem organizada, limpa e bela. Muito pequena e aconchegante, cheia de jardins floridos, como as cidades de Santa Catarina. O clima amazônico, é claro, muito calor.
Segui até a fronteira. Outra surpresa: era uma ponte muito bem arquitetada sobre o Rio Acre.
Figura acima: Ponte de fronteira Brasil / Bolívia, em Brasiléia, Acre. Autoria: Tito Aureliano, 2009.
Do outro lado da ponte via-se um forte espanhol com guardas e a bandeira da Bolívia. A entrada da cidade de Cobija.
Ali, sim, era o velho oeste.
Continua na "Parte II: Bolívia".
Bibliografia:
Pärssinen, Schaan & Ranzi, 2009. Pre-Columbian geometric earthworks in the upper Purus: a complex society in western Amazonia. ANTIQUITY 83 (2009): 1084–1095.


Introdução
O aluno de graduação em Geologia Tito Aureliano Neto (Matrícula 09/16358) viajou à Colômbia no período compreendido entre os dias 1º e 9 de Abril de 2009 com o objetivo de visitar e documentar o acervo paleontológico do Instituto de Geociencias da Univesidad Nacional de Colombia e do Museo Geológico José Royo y Gómez, INGEOMINAS, em Bogotá, museus El Fossil e Museo Paleontologico, em Villa de Leyva, e realizar a palestra Cuenca Neuquina (A Bacia Neuquén): Apresenção da viagem pós-congresso - 27 a 30 de Setembro de 2008, na Universidad Nacional de Colombia.
Tudo foi custeado pelo aluno e a sua atividade não teve vínculos diretos com a UnB – Universidade de Brasília.
Visualizar Colômbia Antiga em um mapa maior
Localidades mencionadas no texto (Bogotá e Villa de Leyva, Colômbia):
Parte 1.1 -- Coleções em Bogotá: Departamento de Geociencias

Foto1.11: Universidad Nacional de Colombia.
A Universidad Nacional de Colombia (foto 1.11) localiza-se ao longo dacalle 26 em encontro com a carrera 30, em Bogotá. O acervo paleontológico está contido no Departamento de Geociencias, sob supervisão do Dr. Pedro Patarroyo.
Em sua sala, o Professor possui basicamente um acervo de fósseis de moluscos marinhos do Cretáceo (Barremiano ao Turoniano), amonites e braquiópodes. Alexis Rojas, o Paleontólogo assistente, colabora com os estudos de Braquiópodes do Hauteriviano.
Dentre os espécimes contidos em sua mesa de trabalho, o Dr. Patarroyo indentificou-me alguns generos: Olcostephanus, Pseudohaploceras (foto 1.12),Pedioceras (foto 1.13), Acanthoptychoceras (foto 1.14), Cheloniceras,Epicholoniceras, Hoplitoidas, Benueites, Peroniceras, Subprionotropis,Paralenticeras e Forresteria.

Foto 1.12(acima): Pseudohaploceras enegrecida.

Foto 1.13(acima): Pedioceras.

Foto 1.14: Acanthoptychoceras.
No depósito da universidade está contido uma enorme variedade de fósseis, dentre eles alguns Braquiópodes do Carbonífero (foto 1.15), um peixe não-identificado do Cretáceo (foto 1.16), répteis marinhos do Cretáceo (foto 1.17) e dentes de mastodondes (foto 1.18). Frutos, folhas e troncos do Neocretáceo (foto 1.19).
Foto 1.15: Braquiópodes do Carbonífero.
Foto 1.16: Peixe do Cretáceo (sem classificação)
Foto 1.17: Vértebras de réptil marinho do Cretáceo.
Foto 1.18: Dentes de Mastodonte do Pleistoceno da região dePubenza.
Foto 1.19: Frutos, folhas e troncos do Neocretáceo.
Parte 1.2 -- Coleções em Bogotá: INGEOMINAS

Foto 1.21: Instituto Colombiano de Geologia y Mineria
A INGEOMINAS – Instituto Colombiano de Geologia y Mineria (foto 1.21) localiza-se ao longo da calle 53 em encontro com a carrera 30, em Bogotá. O acervo paleontológico está contido no Museo Geologico Nacional “José Royo y Gómez” (foto 1.22), sob supervisão do Dr. José Arenas.

Foto 1.22: Museo Geologico Nacional “José Royo y Gómez”.
No que se refere a Era Cenozóica, o museu possui uma enorme coleção de megafauna que engloba diversos grupos. Os que ganham destaque são o Mastodonte (reconstrução – foto 1.23 – e fósseis – fotos 1.24 e 1.25) e o Megatério (recontrução – foto 1.26).

Foto 1.23: Reconstrução de Stegomastodon (Haplomastodon).

Foto 1.24: Mandíbula de Stegomastodon (Haplomastodon).

Foto 1.25 (acima): Dentes de Stegomastodon (Haplomastodon).

Foto 1.26: Fósseis e réplica de Eremotherium.
Em uma vitrine escrito “Era Cenozóica” são encontrados pólen, esporos, troncos e folhas, coprólitos, celenterados do Neo Mioceno e moluscos bivalves.
Na exposição podem ser encontrados também a carapaça associada a alguns ossos dos membros anteriores da tartaruga Geochelone (foto 1.27) e restos do Astrapotério Xenastrapotherium, ambos do Mioceno. Fósseis e fragmentos de maxila superior dos crocodilianos Gryposuchus (foto 1.28) e Purussaurus neivensis(foto 1.29) (leia também sobre Purussaurus nesse outro artigo escrito aqui).

Foto 1.27, acima: Carapaça de Geochelone.

Foto 1.28, acima: Porção posterior do crânio de Gryposuchus.

Foto 1.29, acima: Crânio de Purussaurus neivensis (leia também sobre Purussaurus nesse outro artigo escrito aqui).
A vitrine da Era Mesozóica está muito bem representada por diversosamonites organizados em prateleiras de acordo com sua idade:
Do Santoniano, o gênero Texanites e o holotipo de Cocuyites cocuyensis;
Do Coniaciano (foto 1.30), Barroisiceras, Prionocycloceras;
Do Turoniano (foto 1.31): Mammites, Coiloopoceras, Thomasites;
Do Cenomaniano: os gêneros Calycoceras, Tropitoides, Terrantoceras;
Do Albiano (foto 1.32): Dufrenoya, Cheloniceras, Acanthohoplites, Knemiceras, Diploceras, Tegoceras, Venezoliceras, Oxytropidoceras;
Do Aptiano (foto 1.33): Dufrenoya, Deshayesites, Parahoplites (?), Puzosia, Colombiceras, Cheloniceras, Heinzia, o holotipo de Psilotissotia maximam. sp;
Do Barremiano (foto 1.34) encontram-se os géneros Buergliceras, Crioceratites, Nicklesia, Psilotissotia, Heinzia, os holótipos de Acrioceras julivertii, Psilotissotia chalmasi andina, Pulcellia leivaensis e P. pseudokarsetni, P. robusta, P. riedeli, P. elegans, P. gamulti costata;
Do Valanginiano (foto 1.35): Polyptychites, Subthurmania, (?) Simoceras, Mexicanoceras, Raimundoceras (?), Thurmaniceras, (?) Aspidostephanus, (?) Virgatosphinctes Karsteniceras, Olcostephanus, Raimondiceras, o holotipo deBuchianites zigzag;
Do Berriasiano (foto 1.36): Subthurmannia (?), Neocomites;

Foto 1.30, acima: Amonites do Coniaciano.

Foto 1.31, acima: Amonites do Turoniano.

Foto 1.32, acima: Amonites do Albiano.

Foto 1.33, acima: Amonites do Aptiano.

Foto 1.34, acima: Amonites do Barremiano.

Foto 1.35, acima: Amonites do Valanginiano.

Foto 1.36, acima: Amonites do Berriasiano.
Na exposição em aberto encontra-se também bioturbações de invertebrados do Maastrichtiano e uma demonstração de diferentes estágios ontogenéticos de amonites Coilopoceras aff. inflatum. Há também um exemplar de um dos maiores amonites cretácicos encontrados da América do Sul (foto 1.37).

Foto 1.37: Amonite gigante do Período Cretáceo.
Ainda na ala do Mesozóico, o Museo contém uma réplica de crânio deKronosaurus boyacenis, um espécime completo de Callawaysaurus e um crânio completo de Platypterygius. Esses fósseis são representantes da famosa fauna de répteis marinhos extintos provenientes da região de Villa de Leyva, Boyacá, no centro-leste da Colômbia.
Na vitrine da Era Paleozóica estão expostos trilobitas do Devoniano dos gêneros Synphoroides, Leptostrophia e Dalmanites; Braquiópodes do DevonianoMegastrophia, Cymostrophia, Mediospirifer, Colombiospirifer, Leptostrophia; Celenterados Pleurodictyum, Zaphrentis.
A exposição do Museo Geologico Nacional “José Royo y Gómez”,INGEOMINAS, caracteriza-se por uma volumosa apresentação de diferentes materiais, porém demonstrou pouco interesse em estudos museológicos para com a estética de apresentação (aspecto de reserva técnica na própria área de exibição), por vezes excesiva e desordenada. Mas merece seu destaque pela diversidade e divulgação.
Parte 2.1 – Um resumo sobre o Cretáceo Colombiano

Foto 2.11: Mapa das Bacias Sedimentares da Colômbia.
Fonte: ANH – Agencia Nacional de Hidrocarburos, Colômbia.
Há três Bacias sedimentares de maior área em território colombiano (foto 2.11) e praticamente todos os afloramentos cretácicos colombianos são de ambientes marinhos. Em algumas regiões ainda é comum encontrar fósseis carbonáticos enegrecidos devidos às condições peculiares de sedimentação.
O enfoque desse trabalho é para o Período Cretáceo. Os indícios mostram que a Colômbia de 100 a 65 milhões de anos atrás era uma cadeia de ilhas, de portes variados, com águas mornas repletas de vida. As áreas de terra eram cobertas por Araucárias e samambais. Até a atualidade, não foram encontrados restos de dinosauros, nem outros grupos de tetrápodes continentais para o Período em destaque.
Animais cruzavam que oceanos encontravam-se nos mares rasos onde hoje é a Colômbia. Uma exorbitante diversidade de amonites servia de alimento para predadores fabulosos de grupos variados (Plesiossauros, Ictiossauros e, mais tarde, os Mosassauros), em diferentes estágios ao longo do Período Cretáceo.

Foto 2.12: Reconstrução computadorizada de amonites do Período Cretáceo.
Parte 2.2 -- Coleções em Villa de Leyva: Museo Paleontologico

Foto 2.21: Vista externa do Museo Paleontologico, Villa de Leyva, Boyacá.

Foto 2.22: Vista interna do Museo Paleontologico, Villa de Leyva, Boyacá.
O Museo Paleontologico localiza-se na calma cidade de Villa de Leyva, noDepartamento de Boyacá (fotos 2.21 e 2.22). O acervo resume-se basicamente, e tão somente, em peças encontradas aos arredores daquela cidadela, nos afloramentos do montanhoso Desierto de La Candelaria, no coração da Colômbia.
Retomando o que foi escrito anteriormente, o Cretáceo colombiano possui representantes em quase sua totalidade marinhos, como peixes e moluscos. Contudo, alguns caules, frutos e pinhas de araucárias fossilizadas (fotos 2.23) encontram-se no acervo do museu em questão.
Os répteis aquáticos titãs na exposição são: Kronosaurus boyacencis está representado por metatarsos, vértebras e parte da maxila (foto 2.24);Callawaysaurus colombiensis, representado por vértebras (foto 2.25);Platypterigius sachiarum, representado por vértebras e fragmentos de crânio e mandíbula (foto 2.26).
As amonites cretácicas contidas no Museo Paleontologico estão classificadas à nível de Família, e algumas, Gênero. Os representantes do grupo são Brancoceratidae, Desmoceratidae, Oppelidae, Parahoplitidae, Douvilleiceratidae, Ancyloceratidae, Crioceratidae, Heteroceratidae. Os gêneros para o Barremiano sãoHeinzia, Carstenia, Gerhardtia, Pulchellia, Nickesia, Buergliceras e Psilotissotia. Para o Aptiano são Ancyloceras, Hamiticeras, Acanthoptychoceras, Crioceratites, Pedioceras, Colchidite e Dusfremoyia.

Foto 2.23: Caules, pinhas e folhas de araucárias fossilizadas.

Foto 2.24: Metatarsos de Kronosaurus.

Foto 2.25: Vértebras cervicais de Callawaysaurus.

Foto 2.26: Fragmento de crânio de Platypterigius.
O Museo Paleontologico de Villa de Leyva foi elaborado dentro de uma antiga casa com arquitetura colonial espanhola. É pequeno: há somente um único ambiente, e todas as peças estão em vitrines baixas. São utilizadas luzes naturais e artificiais. Seu acervo está tombado com descrições pouco precisas. Entretanto, participa efetivamente para preservar e despertar a valorização do patrimônio paleontológico da região de Boyacá.
Parte 2.3 – Uma introdução à respeito dos Monstros Marinhos do Cretáceo

Foto 2.31: Cladogramas de répteis marinhos mesozóicos.
Fonte: SCIENCE. www.siencemag.org
Durante a Era Mesozóica, os mares eram habitados por uma formidável diversidade de répteis marinhos. O enfoque desse texto introdutório é para os três grupos extintos mais conhecidos, os Ictiossauros, os Plesiossauros (Pliossauros inclusos nesse último) e os Mosassauros.

Foto 2.32: Reconstrução de Ictiossauro caçando um amonite.
By Jorge Gonzales.
O primeiro grupo a ser apresentado, os Ictiossauros (foto 2.32), eram extremamente adaptados à vida marinha, com o que os paleontólogos chamam debauplan, que do alemão significa “plano corporal”: um corpo aquadinâmico, semelhante ao de um golfinho, com membros em formatos de pás, nadadeiras caudais verticais, como as de um tubarão, focinhos longos, e, em espécies mais tardias, barbatanas dorsais– há restos de fósseis com registro de contorno de barbatanas dorsais para alguns gêneros, como observou McGowan à respeito dos melhores fósseis encontrados para esse grupo, provenientes da região de Holzmaden, Alemanha.
O nado dos Ictiossauros se dava por propulsão em alta velocidade através de suas nadadeiras, com auxílio do direcionamento da barbatana (para os indivíduos que tinham essas características já desenvolvidas). O hábito alimentar envolvia basicamente predação de cefalópodes, cuja ingestão se dava por meio de sucção, como ocorre em ambulocetos. Sua reprodução era ovovivípara, ou seja, os filhotes eram expelidos do corpo: há amplo registro fóssil de fetos associados às mães que faleceram por complicações durante o trabalho de parto. Para alguns pesquisadores, todavía, há também a teoria que os fetos poderiam ser expelidos do corpo das mães pós-morten, como McGowan propôs baseado em carcaças de baleias na Tasmania que liberaram os fetos depois de mortos.
Os Ictiossauros surgiram no início do Período Triássico e extiguiram-se no Neocretáceo, há cerca de 90 milhões de anos. Um dos gêneros encontrados na Colômbia,Platypterygius, foi um dos últimos antes que o grupo se extiguisse. O gênero Platypterygius encontrava-se também nos mares da América do Norte, Europa, Rússia, Índia e Austrália.

Foto 2.33: Reconstrução computadorizada de um Plesiossauro.

Foto 2.34: Reconstrução computadorizada de um Plesiossauro Elasmossauro. Fonte: Johnson Mortimer.
Os Plesiossauros compunham o grupo de predadores marinhos mais bem-sucedidos e melhor distribuídos durante o Mesozóico, caracterizados por variados tamanhos e formatos: pescoços longos, cabeça pequeña; pescoços curtos, cabeça enorme.
O grupo surgiu no meio do Período Triássico (Anisiano; alguns restos fósseis isolados) e seguiram até o Maastrichiano (fins do Período Cretácio), onde encontraram sua extinção, sem deixarem descententes de nenhuma forma. Entretanto, há alguns que acreditam na existência de Plesiossauros vivendo isolados no Lago escocês de Loch Ness. Até hoje, não houve evidências concretas e toda aquela história não passa de mito.
Os Plesiossauros (Diapsida: Sauropterygia: Plesiosauria) compunham dois grandes grupos: os Elasmossauros (patas em forma de nadadeiras triangulares, cabeças incrivelmente pequenas, corpo similar ao de uma tartaruga, e um pescoço muito longo. Fotos 2.33 e 2.34); e os Pliossauros (patas em formas de nadadeiras triangulares, pescoços e caudas curtos e cabeças enormes).
Não há registro de fetos fósseis para o grupo, logo não é sabido se esses animais davam à luz aos seus filotes na agua, ou se desovavam na praia. A robusta caixa toráxica foi justificada por alguns cientistas para defender a teoría de os Elasmossauros pudessem ir à praia, em terra firme. Entretanto, as nadadeiras compridas e os pescoços muito longos os tornariam muito desajeitados fora da agua e seriam presas fáceis para dinosauros carnívoros ou crocodilianos. Atualmente, a grande maioria dos Paleontólogos acreditam ser quase impossível que esses animais saíssem da agua.
O Elasmossauro encontrado no Cretáceo da Colômbia era o Callawaysauruscolumbiensis (antigo gênero Alzadasaurus, invalidado por sinonimizar comThalassomedon, da América do Norte). O holotipo de Callawaysaurus columbiensisestá completo, proveniente da região de Boyacá, e encontra-se na coleção do INGEOMINAS, em Bogotá.

Foto 2.35: Reconstrução computadorizada de um Kronosaurus.

Foto 2.36 (autoria desconhecida): Reconstrução computadorizada de umKronosaurus.
O Liopleurodon ergue sua cabeça robusta vagarosamente e movimenta suas nadadeiras. À medida que ele avança, amonites agitam-se na agua e os peixes escondem-se nos corais em seu temor. Sua boca abre e atinge gravemente a porção do meio de um Ophthalmosaurus. A força de seu ataque carrega ambos sua cabeça e sua presa para fora da agua, onde, por um breve instante ele pausa antes de trazer ambos abaixo com uma explosiva força. Há sangue por todos os lados. Sua vítima more instantáneamente, seu corpo perfurado pelos longos dentes e suas costas quebradas. O Pliossauro ajeita sua presa na boca, mordendo e sacudindo repetidamente (…) Ele volta à superficie erguendo a garganta rosada e engolindo.
(Haines)
Liopleurodon foi um Pliossauro, colossais predadores contidos dentro do grupo dos Plesiossauros, cujo algumas espécies desenvolveram-se nos maiores répteis carnívoros que já viveram.
Os pliossauros são um grupo diferenciado dos plesiossauros devido às suas adaptações: pescoços curtos, crânios notavelmente maiores, formato pontiagudo dos dentes triangulares, etc.
As primeiras formas intermediárias entre os plesiossauros e os pliossauros surgiram no Eo Jurássico, como os Macroplata longirostris, M. tenuiceps e possivelmenteEurycleidus arcuatus. Eram plessiossauros de pescoço mais curto e crânio ligeiramente mais robusto.
De acordo com Ben Creisler, em seu Plesiosauria Translation an Pronunciation Guide, 1999, ficaram estabelecidas as características de classificação daqueles animais. Todavia, ainda é motivo de debates.
O gênero Pliosaurus é conhecido para o Jurássico Médio, e foi um dos primeiros do grupo a ter as características que os definem (expressadas três parágrafos atrás).
Ao Final do Jurássico e Cretáceo, diversas formas floreceram, incluso os colossais predadores Liopleurodon, Kronosaurus, Mareasaurus, Brachauchenius, Megalneusaurus e Peloneustes. Sua ampla distribuição foi pelas Américas, Europa, Ásia e Oceania.
Em 1992, o Paleontólogo alemão Oliver Hampe descreveu um enorme Pliossauro proveniente da região de Boyacá, no norte da Colômbia. Foi nomeado Kronosaurus boyacencis, embora suas costelas demasiado robustas (diferente do encontrado em outros do grupo) poderiam ser peculiares o suficiente para que levantasse a hipótese de um novo gênero para a América do Sul. Os Kronosaurus (fotos 2.35 e 2.36) tiveram sua distribuição desde a Austrália até a Colômbia.
Ao final do Cretáceo foram extintos, assim como também tantas outras espécies marinhas.

Foto 2.3x: Reconstrução computadorizada de Mosassauros.
Fonte: Johnson Mortimer.

Foto 2.38: Reconstrução de Mosassauro.
Fonte: Walter Colvin.
Os Mosassauros foram lagartos varanídeos extremamente bem adaptados à vida marinha: enormes predadores de corpo alongado, esguio, e dentes triangulares afiados e uma comprida cauda que lhes dava propulsão para perseguir suas presas.
Esse grupo evoluiu rapidamente (em termos de escala geológica) durante meados do Período Cretáceo. 90 milhões de anos atrás, Mosassauros já habitavam diversas regiões do globo e estavam entre os animais marinhos mais bem-sucedidos daquele momento. Alguns pesquisadores sugeriram que os Mosassauros haveriam gradualmente substituído o nicho ecológico dos Ictiossauros, que se extinguiram no início daquele Período. Entretanto, parece haver uma incompatibilidade com relação aos hábitos alimentares dos dois grupos para que sustentasse aquela última idéia.
Mosassauros, assim como diversos outros grupos, foram totalmente extintos durante o final do Cretáceo e não geraram descendentes.
Parte 2.4 -- Coleções em Villa de Leyva: Museo El Fósil

Foto 2.41: Vista externa do Museo El Fósil, localizado no Desierto de La Candelaria, Boyacá.
O Museo El Fósil localiza-se no meio do Desierto de La Candelaria, cerca de 30 km de Villa de Leyva, no Departamento de Boyacá (foto 2.41). O acervo também é regional e resume-se aos riquíssimos fósseis coletados nos arredores, em afloramentos cretácicos do montanhoso Desierto, no coração da Colômbia.
O que me havia levado para um local tão distante e de difícil acesso foi o formidável espécime completo de Kronosaurus boyacencis com mais de 10 m de comprimento que está ali (fotos 2.42, 2.43 e 2.44). Aliás, o Museo El Fósil foi construido no local exato e ao redor do imenso fóssil.
As peculiares condições tafonômicas que contribuíram para a perfeita preservação de um animal articulado tão enorme, é o que o torna tão especial e precioso. A prefeitura regional estabelece esforços para valorizar seu patrimônio e esseMuseo recebe muitas visitas de turistas que estão na região de Villa de Leyva.

Foto 2.42: Crânio de Kronosaurus boyacencis.

Foto 2.43: Espécime completo de Kronosaurus boyacencis, vista posterior.

Foto 2.44: Espécime completo de Kronosaurus boyacencis, vista frontal.
Representantes da fauna marinha do Período Cretáceo estão por todos os lados na exposição. Moluscos bivalves (2.45) e Amonites, pliossauros (2.47), Ictiossauros (2.46), peixes e demais. Os fósseis botánicos são representados por folhas e troncos de gimnospermas (2.48). Todavia o amplo acervo alcança materiais desde a Era Paleozóica à Cenozóica.
As amonites expostas são todas do Eo Cretáceo: Motoniceras, Euhoplite, Hildoceras, Agoniatites, Cirroceras, Simancyloceras, Lituites, Nostoceras eAegocrioceras.
Os moluscos bivalves estão distribuídos por diferentes momentos da História da Terra: Arca wagneriana, Plioceno; Cystoseira communis, Tricobatum tricuspidatus, do Mioceno; Platanophyllum wyomingensis, do Eoceno; Glossus, doCretáceo; Filothalus, Pecopteris, Senftenbergia pennaeformis, Neuropteris,Lepidostrobus, do Jurássico; Glossopteris e Mualina copei, do Permiano;Neuropteris gigantea, do Carbonífero; Thamnocladus clakei, do Devoniano;Grammysia bisulcata, Derbya crassa, Platystrophia moritura, Plaesiomys eHerbertella, do Ordoviciano.
Há muitos espécimes de ictiossauros Platypterygium expostos com suas sequências de vértebras arrendodadas como se fosse um peixe (foto 2.46). Há também outro espécime quase completo de Kronosaurus, mais jovem e menor.

Foto 2.45: Moluscos bivalves do Cenozóico.

Foto 2.46: Vértebras caudais do Ictiossauro Stenopterygius quadricissus.

Foto 2.47: Pata de Kronosaurus boyacencis.

Foto 2.48: Folhas de gimnospermas do Período Cretáceo.
A exposição é basicamente iluminada por luzes naturais das janelas juntos às vitrines. Possui aspecto de reserva técnica e não há muito cuidado para a apresentação dos ambientes. Alguns fósseis são também utilizados para cimentar o local, e ficam como decoração. Apesar dos defeitos da exposição, éuma magnífico trabalho construir uma ambiente desse tipo em um local tão longínquo, no meio do deserto.
.Parte 3 -- Conclusão
Voltando do Museo no fim da tarde, eu andava de bicicleta pelo interior doDesierto de La Candelaria, em Boyacá, na Colômbia. Parei perto de uma encosta rochosa próximo à autovia. Observando o vale semi-árido distante, o sol se pondo por detrás dos morros amarelados, eu imaginei aquela mesma paisagem 90 milhões de anos atrás.
De repente, o mar invadiu, azul, lindo. Eu estava em uma pequenina ilha semelhante às outras dezenas espalhadadas pela paisagem. Alguns pterossauros planavam por cima das coníferas e mergulhavam seus bicos na agua, a procura de peixes. Por sorte avistei um Platypterygius buscar ar na superficie, distante. Seu focinho longo e grandes olhos agitados. Ele rapidamente mergulhou e sumiu.
Repentinamente, uma vez mais, eu avistava um deserto amarelado, 90 milhões de anos depois. Estava exatamente no mesmo lugar que aqueles monstros pré-históricos, porém em diferentes momentos do Tempo.
Voltei à bicicleta e tomei rumo para Villa de Leyva, enquanto o sol se punha distante.
Imagem acima: Vilarejo no Desierto de La Candelaría, Boyacá. Eu contava histórias à respeito dos monstros gigantes dos mares que ali existiam para as crianças locais, sempre admiradas com a Paleontologia.
Parte 4 -- Agradecimentos
Agradecimento às equipes da Universidad Nacional de Colombia e doINGEOMINAS, que foram muito atenciosos durante a visitação às coleções. Muito obrigado à minha querida mãe Patrícia Rabello pelo apoio amigo na Colômbia e à minha companheira, a Bióloga Msc. Aline Ghilardi e à Geóloga graduanda Juliana da Rosa pela revisão do texto.
Parte 5 -- Bibliografia
. Ellis, Richard. Sea Dragons: predators of the prehistoric oceans. University Press of Kansas, 2003.
. Motani, Ryosuke. The Evolution of Marine Reptiles. Evo Edu Outreach (2009) 2:224–235. Acesso livre em Springerlink.com, 2009.
O comércio de fósseis brasileiros é ILEGAL!
A coleta de fósseis brasileiros sem comunicação ao Órgão Público responsável (DNPM) é CRIME!
Mas então como devem ser os procedimentos legais para brasileiros e estrangeiros?

Foto acima (Direitos autorais de Tito Aureliano, 2009): Escavações na Amazônia. Acre, Brasil.
Somente estão autorizados para a coleta de fósseis instituições públicas de ensino e pesquisa. No Brasil, fósseis são propriedade da União e realizar sua coleta sem autorização do governo é crime. O comércio de fósseis também é crime.
Coletas realizadas por estrangeiros também é controlada pelo governo. Pesquisadores, empresas ou instituições de pesquisa (sejam governamentais ou não) entrangeiros podem participar SOMENTE com o auxilio nas expedições de coleta, e supervisão do estudo do material.
O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) é o Órgão responsável a autorizar a cooperação científica. Há decretos de lei que regulamentam Expedições Científicas realizadas por instituições brasileiras ou estrangeiras. Nesses decretos é informado que a instituição brasileira que realiza a pesquisa é encarregada pelos fósseis, desde sua coleta até os devidos cuidados no laboratório. Antes de realizarem uma pesquisa de campo, é necessário enviar os pedidos de autorização para prospectar na área.
De acordo com a lei, para que estrangeiros possam obter a autorização de coleta, necessitam contatar uma instituição brasileira de pesquisa, que, por sua vez, precisa enviar um pedido para o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e para o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Os pedidos de coleta serão enviados para o MCT, onde será gerada a autorização.
No caso de enviar material para fora do Brasil, MCT pode pertimitir, caso o material seja somente para estudo, pesquisa e disseminação do conhecimento. Uma parte do material obrigatoriamente deve permanecer na instituição brasileira por força de lei. Todas as despesas de envio do material são por conta do estrangeiro. Se o pesquisador ou a instituição estrangeira levar o material sem autorização do MCT, será considerado CRIME.
Conflitos sérios envolvendo museus e instituições nos Estados Unidos e Alemanha, que se apropriaram de material brasileiro ilegalmente proderiam adquirir até uma escala de conflito internacional. Como foi o caso do Purussaurus brasiliensis, um dos maiores crocodilianos extintos: pesquisadores de Los Angeles levaram um crânio completo coletado na Amazônia para um museu nos EUA. O diretor da Universidade Federal do Acre (UFAC) foi até o local com requerimento Legal com a exigência da República Federativa do Brasil para trazer o material de volta ao país de origem.
Para complementar o procedimento, as instituições brasileiras devem reportar dados da pesquisa para o MCT. A pesquisa que não acompanhar os processos listados correm risco de terem suas atividades suspensas, cancelamento da autorização, além de outras medidas contidas no Artigo 13 do Decreto #98.830 / 1990.
Bibliografia:
SILVA, M. A. Da. How to collect and study Brazilian fossils? Legal requirements for international cooperation. Congresso Latinoamericano de Paleontología. La Plata, Argentina, 2010.