Publicações formais em revistas e eventos científicos (2)



Introdução

A Bacia Neuquén está localizada na porção sudoeste da América do Sul, estendendo-se desde a Argentina ao centro do Chile. Ocupa uma área de aproximadamente 140.000 km² e possui espessura sedimentar de 6.000 a 7.000 metros de rochas de origem marinha e continental que se estendem desde o Triássico Tardio até Cenozóico Inferior (Figura I).  Está registrado a evolução tectônica dos Andes com uma dramática evidência de constantes transgressões e regressões marinhas. Essas variações paleoambientais podem ser observadas nas intercalações entre os sedimentos siliciclásticos e carbonáticos.

Está muito bem conservada a rica fauna Mesozóica encontrada, principalmente em sedimentos marinhos do Tithoniano até os continentais do Campaniano. A grande variada fauna engloba desde pequenos invertebrados até os gigantes e mundialmente famosos dinossauros da Patagônia.

Essa Bacia é também a maior produtora de hidrocarbonetos do sudoeste da América do Sul com 280.4 X 106 m³ já produzidos e estimados 161.9 X 106 m³ ainda restantes (Howell ET AL., 2006).

 

 O tectonismo e a evolução da Bacia Neuquén

Pouco se sabe sobre o que ocorreu em território neuquino antes do Paleozóico Superior. Durante esse momento, a evolução tectônica da região é representada pelo acrescimento de massas de terra e grandes ilhas a margem ocidental do antigo super continente Gondwana (Ramos et al., 1986; Kay, 1993; Bahlburg & Hervé, 1997).

Afloramentos do Carbonífero Superior estão escassamente representados a oeste da Codillera del Viento, que é composto por exposições de turfas e cinzas vulcânicas em um ambiente transicional a marinho raso que estão paleogeograficamente relacionados a antiga costa marítima oeste da Gondwana pré-andina (Zollner & Amos, 1955; Digregorio, 1972; Polanzki, 1978).

A partir do Permiano Superior até o Triássico inferior iniciou-se uma intensa atividade vulcânica relacionada ao efeito da subducção  ocorrida na borda ocidental de Gondwana (Groeber, 1946; Digregório & Uliana, 1980; Nullo,1991; Mpodozis & Ramos, 1989; Llambías, 1999). Essa tectônica extensa resultou na geração de uma importante depressão de sedimentação conhecido por Bacia Neuquén (Cuenca Nequina), e seus depósitos os motivadores para a riqueza petrolífera e fossilífera da província argentina de Neuquén.

A evolução dessa Bacia está ligada ao processo de ritfeamento que ocasionou a ruptura do continente de Gondwana, provocando a sua formação por detrás da margem do Pacífico da Placa Sul Americana (Figuras 2 e 3).

 

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Fonte: Garrido & Calvo, 2008.

Figura 1: Paleogeografia Jurássico-Cretácica superior da Bacia Neuquén.

 

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Fonte: J. Franzese et al. / Journal of South American Earth Sciences 16 (2003) 81–90

Figura 2: O continente Gondwana no início do processo de rifteamento.

 

 

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Fonte: J. Franzese et al. / Journal of South American Earth Sciences 16 (2003) 81–90

Figura 3: O continente Gondwana durante do processo de rifteamento e a formação do Oceano Atlântico.

 

O processo de acumulação de sedimentos se iniciou no Período Triássico, e até o Jurássico Inferior alto, estava caracterizado por depósitos continentais e vulcânicos (Gulisano ET AL., 1984). A partir do Pliensbachiano (Jurássico Inferior) até o Albiano (Cretáceo Inferior) a evolução tectonoestratigráfica da bacia foi caracterizada pelo desenvolvimento do arco magmático baixo e aos processos extensivos contínuos geraram um período de subsidência térmica generalizada que formou uma bacia de sedimentação marinha e possibilitou a sucessão de quatro grandes transgressões do mar. Isso permitiu uma potente sequência sedimentária composta por depósitos marinhos, transicionais e continentais dos grupos Cuyo, Lotena, Mendonza & Rayoso (ver Figura 4; Dalziel ET AL., 1987; Mpodozis & Ramos, 1989; Fanzese & Spalletti, 2001; Gulisano ET AL., 1984; Legarreta & Gulisano, 1989; Legarreta & Uliana, 1991; Legarreta ET AL., 1993; Gulisano & Gutiérrez Pleimling, 1995). Junto aos processos geológicos atuantes na bacia, desenvolveu-se também uma intensa atividade biológica durante o período e foram responsáveis diretos pela riqueza hidrocarbonífera da região (Figura 5).

Durante o Cenomaniano (Cretáceo Superior), houve uma inversão das antigas estruturas tectônicas de extensão que deu origem a um estado de foreland cujos sedimentos estão sob denominação de Grupo Neuquén e constituem os afloramentos de maior extensão do setor extra-andino da bacia. É o setor onde ocorre maior depósito de restos de dinossauros (ver Figura 6; Ramos, 1981; Malumián ET AL., 1983; Digregorio ET AL., 1984; Mpodosis & Ramos, 1989; Pindell & Tabbut, 1995; Franzese ET AL., 2003).

Entre o Campaniano (Cretácio Superior) e o Daniano (Paleógeno Inferior) houve uma transgressão de proveniência atlântica na forma de uma estreita bahia alongada e ocorreu uma sedimentação marinha, associada a depósitos fluviais desenvolvidos em condições climáticas de semiaridez (Malumián ET AL., 1983; Zambrano, 1981, 1987; Uliana & Biddle, 1988; Legarreta ET AL., 1989; Barrio, 1988; Andreis, 2001; Franzese ET AL., 2003).

Do Paleógeno Médio até a atualidade, a orogenia dos Andes controlou a dinâmica de sedimentação desenvolvida em seus arredores nos vales fluviais da zona da cordilheira. Desenvolveram-se extensos planaltos basálticos devido aos enormes depósitos vulcaniclásticos e epiclásticos (ver Figura 7). Durante as glaciações ocorridas no Pleistoceno e no início do Holoceno, extensos depósitos fluvioglaciais cobriram a superfície do território neuquino, enquanto a rede de drenagem dava a  forma do relevo atual (ver Figura 8; Garrido & Calvo, 2008).

 

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               Fonte: Garrido & Calvo, 2008.

Figura 4: Seqüência estratigráfica da região centro-austral da Bacia Neuquén

 

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Fonte: Tito Aureliano Filho, 2008.

Figura 5: Camada de hidrocarbonetos expelidos na superfície em Los Barreales.

 

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Fonte: Tito Aureliano Filho, 2008.

Figura 6: Afloramentos do Grupo Neuquén nos arredores de Los Barreales.

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Fonte: Tito Aureliano Neto, 2008.

Figura 7: Planalto basáltico do Cenozóico. Barda Negra, arredores de Zapala.

 

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Fonte: Tito Aureliano Neto, 2008.

Figura 8: Relevo Patagônico atualmente presente em Neuquén.

 

Estratigrafia do Mesozóico e os fósseis (ver Figura 4)

 

Como foi explicado anteriormente, foi no Triássico Médio-Superior que se deu início a sedimentação da Bacia Neuquén, sendo chamado de Ciclo Precuyano (Gulisano ET AL., 1984). Esses depósitos são compostos por piroclastos e sedimentos continentais das Formações Paso Flores e Lapa.

O Ciclo Cuyano (Figura 8.5) da início a sedimentação marinha jurássica, estando representado pelas Formações Molles, Tres Esquinas, Lajas, Tábanos, Challacó e Punta Rosada. Na Formação Molles são encontrados diversos restos de répteis marinhos, dentre eles o Mollesaurus periallusMareasaurus coccae,Metriorhynchus aff. e Stenopterydius grandis (Garrido & Calvo, 2008).

 

 

Litotipo segundo Garrido & Calvo, 2008.

Figura 8.5: Ciclo Cuyano. Clique na imagem para ampliar.

 

O Ciclo Loteniano-Chacayano preenche o intervalo da segunda transgressão/ regressão do Pacífico no engolfamento de Neuquén. Litologicamente compreende uma sucessão de sedimentos clásticos e evaporitos de idade Jurássico Médio a Jurássico Superior; representados pelas Formações Lotena, Barda Negra, Sierras Blancas, La Manga, Auquilco, Fortin 1º de Mayo e Tábanos (Digregório, 1978; Leanza & Hugo, 1997, 1999).

O Megaciclo Ándico (ver Figura 8.6; Groeber, 1946) integra uma nova sucessão de depósitos marinhos e continentais de aproximadamente 3000 m de espessura, entre o Kimmeridgiano (Jurássico Superior) ao Albiano (Cretáceo Inferior). Engloba as Formações Quebrada Del Sapo, Vaca Muerta, Carrín Curpa, Picún Leufú, Pichi Picún Leufú, Bajada Colorada, Agrio, Ortíz, Rayoso e La Amarga (Ardolino & Franchi, 1996; Leanza & Hugo, 1995, 1999).

 

 

Litotipo segundo Garrido & Calvo, 2008.

Figura 8.6: Megaciclo Ándico. Clique na imagem para ampliar.

 

A Formação Vaca Muerta (Figura 9) é unidade fossilífera de maior importância dentro do megaciclo. Intercalada por rochas calcáreas e evaporitos, é portadora de numerosos restos de invertebrados e répteis marinhos. Vale a pena citar o Geosaurus araucanensis, o Dakosaurus andinensis (Figura 10) e os diversos tipos de Icthyosaurus (Figuras 11 e 12). Quanto as unidades continentais, as Formações Rayoso, La Amarga e Lohan Curá, foram encontrados restos fósseis de vertebrados como o RayososaurusAmargasaurus cazaui (Figuras 13 e 14),Zapalasaurus bonaparteiAugustinia ligabuei, assim como também restos de crocodilianos, tartarugas, pterossauros e invertebrados. São unidades de origem dominantemente fluvial com intercalação de episódios lacustres (Garrido & Calvo, 2008).

Ao longo do Cretáceo Superior (entre o Cenomaniano ao Campaniano Médio) desenvolveu-se um pacote de sedimentos continentais fluviais correspondentes ao ciclo Neuqueniano (Figura 9.5). Os depósitos do Grupo Neuquén compõem os afloramentos de maior abundância dentro da área extra-andina. Os depósitos se encontram com intercalações de episódios eólicos e lacustres e são predominantemente arenitos (ver Figura 15; Cazau & Uliana, 1973)

 

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Litotipo segundo Garrido & Calvo, 2008.

Figura 8.6: Megaciclo Ándico. Clique na figura para ampliar.

 

São freqüentes as concreções férricas de geometria esferoidal com dimensões de até 40 cm de diâmetro (ver Figura 16).

O grupo Neuquén é dividido em sete unidades integradas em ordem ascendente pelas Formações Candeleros, Huincul, Cerro Lisandro, Portezuelo, Plottier, Bajo de La Carpa e Anacleto; agrupadas, por sua vez, dentro dos subgrupos Río Limay, Río Neuquén e Río Colorado. Esses subgrupos representam três grandes ciclos granodecrescentes no qual se desenvolve uma sequencia deposicional completa e é fácil reconhecer os cortes de níveis representados pelas mudanças granulométricas e ambientais (Garrido, 2000).

As Fm. Candeleros e Huincul foram depositadas em sistemas de fluviais e preservaram muito bem fósseis de imensos vertebrados e também icnofósseis, como pegadas (Figura 17). Dentre os vertebrados fósseis de maior destaque estão o Giganotosaurus carolinii (Figura 18), o Mapusaurus rosae (Figura 19), o Argentinosaurus huinculensis (Figura 19), Andesaurus delgadoi, Rebbachisaurus tessonei, Araripesuchus patagonicus, dentre outros (Garrido & Calvo).

A Fm. Portezuelo representa o início de um novo ciclo de deposição, a qual os rios são dominantemente de enorme capacidade de carga arenosa. A Fm. Plottier finaliza esse ciclo com um período de menor energia (Figura 21). Esses níveis são riquíssimos em fósseis, havendo numerosos vertebrados como o Megaraptor namunhuaiquii, o Patagonykus puertai e o Unenlagia painemili.

A Fm. Bajo de La Carpa preservou um novo rejuvenescimento da rede e foi depositada por rios de alto a moderado fluxo com carga arenosa. E finalmente a Fm. Anacleto apresenta uma variedade de ambientes deposicionais conforme sua posição pela Bacia. Dessas unidades foram encontrados Aucasaurus garridoi,Neuquensaurus australisBonitasaura salgadoiAlvarezsaurus calvoi,Notosuchus terrestris e muitos outros. O aparecimento de ovos de saurópodes de Auca Mahuevo se encontra nesses níveis. O paleoclima variou desde condições úmidas a semi-áridas e existindo em todos os casos um bem marcado período de seca (Garrido, 2000, 2005).

O Ciclo Malalhueyano (Figura 19.5), durante o final do Cretáceo até o início do Paleógeno (Campaniano Superior - Daniano) ocorreu a primeira transgressão Atlântica. Os depósitos estão nas Formações Allen, Loncoche, Jaguël, Roca, Pircala e Carrizo (Digregorio & Uliana, 1980; Ardolino & Franchi, 1996). Desses níves provém restos de dinossauros com o Abelisaurus comahuensis, Aeolosaurus e outros.

 

 

Litotipo segundo Garrido & Calvo, 2008.

Figura 19.5: Ciclo Malalhueyano. Clique na imagem para ampliar.

 

 

 

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Fonte: Tito Aureliano Filho, 2008.

Figura 9: Formação Vaca Muerta. Arredores de Zapala.

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Fonte: Tito Aureliano Neto, 2008.

Figura 10: Dakosaurus andinensisMuseo Prof. Dr. Juan Augusto OlsacherZapala.

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Fonte: Tito Aureliano Filho, 2008.

Figura 11: IcthyosaurusMuseo Prof. Dr. Juan Augusto Olsacher Zapala.

 

                                   Fonte: Raul Martin.

                             Figura 12: Reconstrução de um Icthyosaurus.

 

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Fonte: Tito Aureliano Neto, 2008.

Figura 13: Amargasaurus cazauiMuseo Municipal Ernesto Bachmann, Villa El Chocón.

 

 

Fonte: Raul Martin.

Figura 14: Reconstrução do Amargasaurus cazaui.

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Fonte: Tito Aureliano Neto, 2008.

Figura 15: Arenitos em Villa El Chocón indicam intercalações entre ambientes de sedimentação eólico e lacustre.

 

Fonte: Tito Aureliano Neto, 2008.

Figura 16: Concreções sedimentares em Los Barreales.

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Fonte: Tito Aureliano Neto, 2008.

Figura 17: Pegada de dinossauro terópode em Villa El Chocón.

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Fonte: Tito Aureliano Neto, 2008.

Figura 18: GiganotosaurusMuseo Municipal Ernesto Bachmann, Villa El Chocón.

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Fonte: Tito Aureliano Neto, 2008.

Figura 19: MapusaurusMuseo Carmen Funes, Plaza Huincul.

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Fonte: Tito Aureliano Filho, 2008.

Figura 20: ArgentinosaurusMuseo Carmen Funes , Plaza Huincul.

 

 

 

                   Conclusão


            A Patagônia é um universo composto por centenas de mundos escondidos paralelamente pelo tempo. Ainda há muito o que ser estudado e também explorado dos recursos infindáveis.

 

        Bibliografia 



. Cobbold & Rosello. Phases of Andean deformation, foothills of the Neuquén Basin, Argentina.

. Franzese, Spalletti, Pérez & Macdonald. Tectonic and paleoenvironmental evolution of Mesozoic sedimentary basins along the Andean foothills of Argentina (328–548S).

. Garrido & Calvo. Un reconocimiento de la Cuenca Neuquina.

. HOWELL, SCHWARZ, SPALLETTI & VEIGA. The Neuquén Basin: an overview.

http://www.unb.br/ig/glossario/


Por Tito Aureliano, Marcos Dumont Júnior & Dr. Jonas Souza Filho

 

 

Foto acima: Sítio Niterói. Fotografia por Dr.Riff, 2009.

    A partir de um convênio entre as equipes de Paleontologia da Universidade Federal do Acre (UFAC), da Universidade de Brasília (UnB) e convidados realizou-se um trabalho conjunto para ampliar o conhecimento sobre a fauna macro e micropaleontológica do sítio fossilífero Niterói (10˚08’30’’S/67˚48’46,3’’O), localizado à margem direita do Rio Acre, a aproximadamente 25 km de Rio Branco.

    O sítio Niterói é constituído por afloramentos que ocorrem por uma extensão de 300 m ao longo da margem direita do Rio Acre. Os seus sedimentos finos flúvio-lacustres estão atribuídos a Fm. Solimões, Bacia do Acre (Cunha, 2007). A datação para os sedimentos da Fm. Solimões baseada em macro fauna associada indica Mioceno Superior-Plioceno (Frailey 1986; Latrubesse et al. 1997, 2007). Todavia duas datações radiométricas (9.01 e 3.12 Ma) foram obtidas a partir de cinzas vulcânicas peruanas em sedimentos correlacionados com a Fm. Solimões (Campbell et al. 2001).

  Em Agosto de 2009, foram realizadas as escavações, à margem do Rio Acre. O trabalho de campo durou uma semana, na temporada de baixa do rio que expôs os barrancos com os afloramentos. O material foi retirado com os devidos cuidados e enviado para o Laboratório de Pesquisas Paleontológicas da UFAC, em Rio Branco. Parte deste material foi enviado para o Laboratório de Micropaleontologia da UnB. Após preparação, os fósseis foram identificados com base na coleção de referência do Museu de Paleontologia da UFAC e os resultados foram analisados e comparados com a bibliografia existente.

 

 

 

Foto acima: Explorando os afloramentos do Sítio Niterói. Fotografia por Tito Aureliano, 2009.

 

 

    Foto acima: Pesquisadores Tito Aureliano (esquerda) e Dr. Edson Guilherme retirando a mandíbula de Purussaurus. Fotografia por Dr.Riff, 2009.

 

 Foto acima: Tito Aureliano retirando dentes e fragmentos de Purussaurus. Fotografia por Tito Aureliano, 2009.

 

 Foto acima: Fósseis de Purussaurus levados pela selva até a segurança do laboratório de pesquisas paleontológicas da UFAC. Fotografia por Tito Aureliano, 2009.

  Os vários fósseis encontrados estavam completamente desarticulados e muito raro não fragmentados, o que não permitiu uma taxonomia mais precisa na maioria dos casos.

  Os fósseis compreendem diversos grupos de vertebrados com registros prévios para o Sítio Niterói, segundo Negri, 1998. Dois fragmentos posteriores de mandíbula (esquerda e direita) com processo retroarticular preservado, uma vértebra torácica quase completa e parte do axis, identificados como pertencentes à espéciePurussaurus brasiliensis BARBOSA RODRIGUES, 1892; fragmentos fósseis de crocodilianos não identificados, representados por vértebras, osteodermes, dentes, mandíbulas, osso carpal, rádio quase completo e fragmentos de ossos longos; restos de carapaça e plastrão de Testudines; vértebra e fragmento de crânio de Osteichthyes; astrágalo e esterno de Mylodontidae; e coprólitos ainda não investigados.

  Todos os grupos encontrados já possuem registro para o Sítio Niterói, sendo achados recorrentes e provavelmente representativos da paleofauna local (Negri, 1998).

 

Foto acima: Colossal vértebra dorsal de Purussaurus. Fotografia por Tito Aureliano & Marcos Dumont, 2010.

 

 

 Foto acima: Recuperadas as porções articulares de Purussaurus brasilienses. Fotografia por Tito Aureliano, 2010.

 

 

 Foto acima: Comparação de tamanho. (Acima) Reconstrução em resina de mandíbula direita dePurussaurus brasiliensis; (Ao meio) Fragmento da extremidade posterior da mandíbula direita dePurussaurus brasiliensis; (Abaixo) Mandíbula direita de Melanosuchus niger, o jacaré-açú..Fotografia por Tito Aureliano & Marcos Dumont, 2010.

 

 

 

Foto acima: Em círculo: permineralização de Gipsita em fósseis do Sítio Niterói. Fotografia por Marcos Dumont, 2010.

 

    Gipsita (sulfato de cálcio) é cristalizado e depositado em ambientes de alta salinidade (Press et al). A presença desse mineral nos fósseis indica um ambiente de deposição hipersalino, enquanto os táxons de vertebrados aquáticos registrados para o Sítio Niterói pertencem a grupos tipicamente encontrados em águas continentais. Crocodylia, Podocnemididae e Chelidae.

  Dada a ausência de fósseis de vertebrados marinhos miocênicos, pode-se inferir que a região onde hoje está localizado o estado do Acre foi durante o final do Mioceno uma planície com lagunas hipersalinas. Pode ser observada hoje uma situação semelhante no pantanal do Mato Grosso do Sul.

    A questão paleoambiental do Neo Mioceno da Fm. Solimões permanece ainda cheia de lacunas a serem respondidas. Registra-se aqui a necessidade de mais estudos micropaleontológicos para aprofundar-se o conhecimento da história ecológica e geológica da porção Ocidental da Amazônia.

 

 

 

Bibliografia:

 

 

Campbell Jr, K.E., Heizler, M., Frailey, C.D., Romero-Pittman, L., Prothero, D.R., 2001Upper   Cenozoic   chronostratigraphy of the southwestern Amazon BasinGeology 29, 595–598.

 

Cunha, P.R. da C., 2007. A Bacia do Acre. Boletim de Geociências da Petrobras, Rio de Janeiro, v.15,  n.2, p 207-  215.   Mai/Nov 2007.

 

Frailey, C.D.,1986Late Miocene and Holocene mammals, exclusive of the Notoungulata, of the Rio Acre region,   western Amazonia. Contrib Sci 374, 1–46.

 

Latrubesse, E.M., Bocquentin, J., Santos, J.C.R., Ramonel, C.G., 1997. Paleoenvironmental   model for the late   Cenozoic of Southwestern Amazonia: paleontology and geologyActa   Amazonica 27, 103–118.

 

Latrubesse, E.M., Silva, S.A.F. da, Cozzuol, M., Absy, M.L. , 2007. Late Miocene continental   sedimentation in   southwestern Amazonia and its regional signifi cance: biotic and geological   evidenceJ S Am Earth Sci 23, 61–80

 

Negri, R., 1998. Anatomia craniana de Neoepiblema ambrosettianus (Ameghino, 1989). Boletim do Museu Paraense   Emílio Goeldi, série Ciências da Terra 10, 1998.

 

Press, F., Siever, R., Grotzinger, J. & Jordan, T.H., 2008. Para Entender a Terra, capítulo 8. Editora Bookman,   Porto Alegre, RS.

 

 

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